Artigo:O rosto de uma política falhada

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O rosto de uma política falhada

Fernando Alexandre tornou-se o rosto de uma política educativa que tem conduzido ao progressivo enfraquecimento da Escola Pública. A incapacidade de resolver a falta de professores, o adiamento da revisão do Estatuto da Carreira Docente, a manutenção da precariedade e a desvalorização da profissão são o resultado de opções políticas que estão a comprometer o presente e o futuro da educação.

O caos verificado nos exames nacionais não caiu do céu. É consequência de decisões erradas, de sucessivos alertas ignorados e do enfraquecimento da capacidade de resposta da administração educativa. Perante este cenário, o ministro voltou a recusar assumir responsabilidades, preferindo procurar culpados entre aqueles que todos os dias garantem o funcionamento das escolas.

Quando um governante acumula erros, ignora os problemas e se demite das suas responsabilidades políticas, deixa de reunir condições para continuar em funções. Fernando Alexandre chegou a esse ponto. A sua demissão é hoje uma exigência política, porque a Escola Pública e os seus profissionais merecem um rumo diferente.

Mas a atuação deste ministro não pode ser dissociada de um projeto político mais amplo. O progressivo desinvestimento na Escola Pública, a desvalorização da carreira docente, a degradação das condições de funcionamento das escolas e a incapacidade de responder aos problemas estruturais da educação criam as condições para justificar uma crescente transferência de responsabilidades para o setor privado. Fragilizar a Escola Pública é abrir caminho à sua privatização. É transformar um direito constitucional num negócio e substituir uma lógica de igualdade de oportunidades por uma lógica de mercado.

É por isso que este é um momento de grande responsabilidade para todos os professores. A defesa da carreira docente é inseparável da defesa da Escola Pública. Só a unidade, a mobilização e a luta dos professores poderão travar este caminho e afirmar uma alternativa que valorize a profissão, reforce a escola pública e garanta uma educação de qualidade para todos. A história demonstra que nenhuma conquista foi oferecida. Também desta vez será a nossa determinação que fará a diferença.

Texto original publicado no Escola/Informação Digital n.º 48 | maio/junho/julho 2026 e Escola Informação n.º 315 | julho 2026