FILMES
Naza | Yuval Abraham, Rachel Szor
Lígia Calapez | Jornalista
Obrigatório ver!
Tendo como pano de fundo uma paisagem urbana noturna – Telavive à noite, vidas comuns que cumprem rotinas banais do dia a dia (e, no entanto, potencialmente sujeitas a uma vigilância total) – 24 operacionais dos serviços secretos israelitas, com as vozes e imagens alteradas para lhes garantir anonimato, descrevem a sua participação na máquina de morte que visa a aniquilação do máximo de palestinianos, a destruição sistemática de edifícios e bairros.
Um diálogo expurgado de emoção, seco, direto, estritamente técnico, distante. Ocasionalmente eivado de laivos de consciência e de arrependimento. Um dos entrevistados questiona-se: “Ainda considero os nazis maus”, diz, “mas dito isso, o que sou eu?”. Um deles admite que se trata de um genocídio.
O filme termina com uma sucessão de imagens de Gaza após um bombardeamento. Corpos esmagados, famílias desesperadas. Um único momento a documentar as consequências humanas do que parece ser encarado, por alguns dos intervenientes, como um jogo de guerra. Em que a “eficiência” é o objetivo.
Impossível não lembrar o conceito de banalidade do mal, de Hannah Arendt: o mal extremo pode ser praticado por pessoas comuns que abdicam da capacidade de refletir, julgar e questionar, limitando-se a cumprir ordens, seguir regras e integrar-se a uma máquina burocrática.
O filme ficará disponível para transmissão gratuita online no fim de novembro de 2026 no site oficial do The Guardian.
Texto original publicado no Escola/Informação Digital n.º 49 | setembro/outubro 2026