Faltam respostas, sobram acusações
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 29 de setembro de 2026
Um ministro que não consegue resolver os problemas não pode transformar a crítica numa guerra contra tudo e todos. Muito menos pode substituir os factos pela acusação política. Quem denuncia uma falha não é responsável pela sua existência. E quem governa deve explicar as suas decisões, em vez de procurar culpados externos.
Os exames são apenas uma parte de uma questão muito maior. O que está em causa é um conjunto de alterações estruturais que pode mudar profundamente a Educação em Portugal.
A revisão da LBSE merece especial atenção. Estão em causa princípios fundamentais, como a participação democrática, a igualdade de oportunidades e a responsabilidade do Estado.
O modelo de governação das escolas deve ser debatido. As escolas não são empresas: não produzem mercadorias. Educam crianças e jovens e têm uma missão pedagógica, científica, social e democrática.
Na educação inclusiva, o risco é igualmente sério: substituir direitos e respostas especializadas por uma arquitetura administrativa, sem os recursos necessários, deixa para trás precisamente quem mais precisa da escola pública.
Esta é a verdadeira discussão: que escola pública queremos e que Educação para o futuro?