Falta de professores: um problema estrutural que se agrava
João Pereira | Dirigente SPGL
O ano letivo 2026/2027 começou com sinais preocupantes da dimensão da falta de professores. Entre 28 de agosto e 3 de setembro, foram disponibilizados 3208 horários em contratação de escola, contra 1743 no período homólogo de 2025: um aumento de 84%, num só ano.
Mais significativo ainda é que 3178 destes horários eram anuais e 2257 eram completos e anuais. Ao mesmo tempo que aumentavam os horários e as horas disponibilizados para contratação pelas escolas, diminuía o número de docentes disponíveis nas reservas de recrutamento. Uma evolução que evidencia as crescentes dificuldades em encontrar professores para responder às necessidades existentes.
Os dados demonstram que a falta de professores não se limita a algumas escolas ou regiões. Embora com incidência desigual, é um problema que se estende a todo o país e compromete a resposta das escolas às necessidades dos alunos.
O SPGL/FENPROF tem alertado que esta situação resulta de anos de desvalorização da profissão, precariedade, instabilidade e condições de trabalho pouco atrativas. Não será resolvida com alterações às regras dos concursos, mas com medidas efetivas de valorização da carreira docente, capazes de atrair novos profissionais e de garantir a sua fixação nas escolas.
Texto original publicado no Escola/Informação Digital n.º 49 | setembro/outubro 2026