Parte do problema
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 04 de agosto de 2026
Uma medida como a limitação do uso dos telemóveis ocupa facilmente o espaço mediático quando é anunciada num momento em que a credibilidade do Ministro da Educação está fortemente abalada e se acumulam dúvidas sobre a sua capacidade para gerir o sistema educativo.
Quando um sistema nacional de avaliação revela falhas desta dimensão, seria de esperar que a prioridade fosse apurar responsabilidades. Mas este não é um problema isolado. Continuam a faltar professores, a profissão envelhece e, em vez de uma verdadeira valorização da carreira docente, sucedem-se medidas avulsas, algumas assentes no chamado "pagamento à peça".
Entretanto, aproxima-se um novo ano letivo e persistem dúvidas sobre a capacidade de assegurar estabilidade nas escolas.
Perante este cenário, é legítimo perguntar se o problema é apenas a falta de soluções ou se começa também a ser a incapacidade de quem tem a responsabilidade de as encontrar. Porque anunciar medidas mediáticas é sempre mais fácil do que resolver os problemas da Escola Pública. Mas parece não haver dúvidas de que este ministro não faz parte da solução; faz, isso sim, parte do problema.