Os negócios dos exames
Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 14 de Julho de 2026
No historial dos fundos europeus, as promiscuidades entre a política e os interesses privados foram uma constante, fosse qual fosse a área de aplicação. Vimos isso, casos de justiça até: na agricultura, na formação profissional, na requalificação do parque escolar. Na memória ficou a frase de Maria de Lurdes Rodrigues, a propósito da Parque Escolar (a empresa pública criada para a requalificação das escolas secundárias): “foi uma festa”.
O atual Plano de Recuperação e Resiliência, numa das suas áreas de incidência, a transição digital, serviu para desmantelar a Administração Educativa, o seu capital humano e de conhecimento, substituindo-o por plataformas, algoritmos e Inteligência Artificial. O caos nos exames ilustra, na perfeição, o sucesso desta opção política.
Tal como na requalificação do parque escolar, com a concentração escolar e o encerramento de escolas EB1, duas grandes tendências saltam à vista: a diminuição de pessoal e o crescimento da contratação com privados. Estranho liberalismo este, o português: não fossem os contratos com o Estado e encerrava para balanço.