Omeletes sem ovos
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 15 de setembro de 2026
Como diz o ditado popular, “não se fazem omeletes sem ovos”. E também não se arranjam docentes onde eles não existem, por muito que se anuncie diariamente a saída de reservas de recrutamento.
As reservas confirmam, pelos números de candidatos disponíveis, que não existe um reforço da bolsa capaz de responder às necessidades das escolas.
A esta realidade acresce a saída, só em setembro e outubro, de 1102 docentes por aposentação, aumentando ainda mais a pressão sobre a capacidade de resposta do sistema ao longo do ano letivo.
E, entre os candidatos disponíveis, muitos não têm condições para aceitar colocações longe da sua residência. Face aos baixos salários e aos elevados custos da habitação e das deslocações, trabalhar a dezenas ou centenas de quilómetros de casa tornou-se, para muitos, materialmente insustentável.
Não são as baixas médicas que explicam a dimensão do problema, como o ministro, de forma injusta e ofensiva, procura fazer crer.
Um ministro que tem responsabilidades diretas nesta situação, agravadas pela forma como, de modo ostensivo e reiterado, ofende e desrespeita os docentes e conduz um processo de desvalorização da profissão.