Artigo:O simulacro de negociação | José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 17 de março de 2026

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O simulacro de negociação

José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 17 de março de 2026

O Governo parece conviver com naturalidade com processos negociais que interferem diretamente na vida profissional e pessoal dos trabalhadores e nos seus direitos, ignorando, porém, quem legitimamente os representa: as organizações sindicais.

Na negociação sobre a valorização da carreira docente, o padrão repete-se. Não há verdadeira negociação. O Governo apresenta um plano previamente definido e limita-se a aplicá-lo, introduzindo apenas alterações de pormenor, sem qualquer impacto nas questões essenciais. As propostas apresentadas pelos sindicatos são, na prática, ignoradas.

A imagem que fica deste Governo e do Ministério da Educação, Ciência e Inovação é preocupante. A negociação democrática exige diálogo, respeito institucional e disponibilidade para aproximar posições. Quando tal não acontece, perde-se confiança no processo.

Entretanto, os problemas da escola pública continuam a agravar-se: falta de professores, desgaste profissional e dificuldades crescentes em atrair novos docentes para a carreira.

Perante este cenário, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de uma mudança que coloque verdadeiramente a escola, os alunos e os profissionais da educação no centro das prioridades.