O preço do desinvestimento
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 17 de fevereiro de 2026
As intempéries, com o rasto de destruição que infelizmente deixaram — enormes prejuízos materiais, perda de vidas humanas, estradas arrasadas, casas, escolas, fábricas, lojas, oficinas, armazéns e culturas agrícolas — expõem de forma brutal um país manifestamente impreparado.
É o retrato de um país sem capacidade de resposta, sem ordenamento do território, onde a proteção civil nem sequer consegue comunicar entre si. Um país onde ainda se constrói em leitos de cheia e junto a encostas, com um governo errático e desorientado perante o quadro vivido.
É o resultado direto de anos de desinvestimento deliberado e continuado nos serviços públicos, nas infraestruturas, nos sistemas de monitorização e da privatização de serviços absolutamente vitais nestes momentos, como a energia e as telecomunicações.
O país precisa agora de reconstruir o que foi destruído, sim, mas acima de tudo precisava de uma bonança, de uma mudança de rumo que travasse o desmantelamento do aparelho do Estado, de uma reforma que o reforçasse e o tornasse capaz de proteger pessoas e território — e não a que está em curso, orientada para a sua fragilização e para a sua erosão.