O complexo da quinta do lago
Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 18 de novembro de 2025
A trindade pedagógica portuguesa — exames, rankings e ofertas profissionalizantes — tem vindo a arrumar cuidadosamente os alunos portugueses por escolas e turmas. Quando saem os rankings, lá encontramos as escolas públicas de meios mais desfavorecidos no fim da tabela e os colégios mais elitistas no topo.
Na semana passada, foi tornado público o Relatório Nacional das Provas ModA 2025 (4.º e 6.º anos) e, nas conclusões apresentadas, confirmou-se o que se sabe: os alunos têm mais dificuldades no complexo do que no simples e os repetentes, oriundos de escolas públicas e de meios mais desfavorecidos têm, em média, resultados mais baixos.
É depois afirmado, no Relatório, que os encarregados de educação “têm oportunidade de analisar os resultados e posicionar a escola e o aluno, face a outras escolas para tomar decisões pedagógicas”, exaltando a liberdade de escolha. Mas de quem? Do encarregado de educação escolher a escola, ou da escola escolher o aluno? É o complexo da Quinta do Lago: todos são livres de escolher lá viver, mas só lá vive quem tem a patine e o cabedal exigidos.