Artigo:Marca de classe | Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 07 de setembro de 2026

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Marca de classe

Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 07 de setembro de 2026

Segundo noticiado recentemente, só três em cada cem alunos colocados na primeira fase do acesso ao ensino superior tinham origem social economicamente desfavorecida. Seria importante perceber quantos alunos desse universo não concretizaram entretanto a sua inscrição e, mais importante ainda, quantos conseguirão concluir a formação superior a que acederam. Será acaso ou marca de classe?

Para o governo nem é questão que se coloque: a formação superior é mercadoria reputada e valiosa, quem tem dinheiro compra, quem não tem pede empréstimo. 

Esta situação é até muito pedagógica para os alunos mais jovens oriundos de meios economicamente desfavorecidos, pois sempre poderão apostar em formações de cariz mais profissionalizante, secundárias ou pós-secundárias, onde, ao que consta, a procura sempre é menor do que em engenharia aeroespacial da Universidade do Porto. Sendo as formações profissionalizantes muito valorizadas pelo governo, talvez permitam aos alunos de meios económicos mais desfavorecidos uma solução mais condizente com a sua condição.