“Inteligência” artificial (de)generativa em tempo de capitalismo académico
André Carmo | Dirigente SPGL
Que a IA generativa chegou para ficar todos ouvimos dizer. Que é uma força imparável como a natureza, também. Que nos permite fazer isto, aquilo e aqueloutro, dizem-nos, é inequívoco. Mas, e aqui entra o ser humano reflexivo que julgo ser: desde quando é que deixámos de colocar questões a tudo aquilo que existe, existiu e existirá? Desde quando é que suspendemos o nosso juízo crítico, mais ou menos fundamentado – e este ponto é fulcral porque seria um erro tremendo entregar a IA aos tecnólogos de serviço, esvaziando de legitimidade a esfera da cidadania -, e deixámos de nos interrogar sobre as consequências sociais, económicas, políticas e culturais do desenvolvimento tecnológico? Como académico-sindicalista preocupo-me com os impactos da IA sobre o bem-estar, as condições de trabalho e a qualidade de vida de docentes e investigadores, num tempo de capitalismo académico que tudo devora à sua passagem. E sobre isto, mergulhados que estamos numa nebulosa de deslumbramento acrítico, ouve-se muito pouco.
Texto original publicado no Escola/Informação n.º 313 | janeiro/fevereiro 2026