Exames sem confiança
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 21 de julho de 2026
Os exames nacionais exigem rigor, transparência e confiança. Essa confiança foi profundamente abalada. O que hoje aconteceu não é fruto do acaso nem de uma falha tecnológica. É consequência de opções políticas.
O caos não caiu do céu. O Governo extinguiu organismos, desmantelou estruturas e dispensou técnicos com larga experiência na organização dos exames. Destruiu conhecimento acumulado e capacidade de resposta, chamando a isso "modernização". Ignorou sucessivos alertas, incluindo os problemas identificados no projeto-piloto de 2025, e avançou com um processo marcado pelo improviso e pelo experimentalismo.
Agora procura bodes expiatórios, lançando suspeitas sobre professores e estruturas técnicas, quando deveria assumir as consequências das suas decisões. Se esta crise não teve consequências ainda mais graves, ficou a dever-se ao profissionalismo e ao enorme esforço dos professores.
Os professores, os alunos e as famílias merecem respeito. O país merece um Governo que assuma responsabilidades, recupere a credibilidade dos exames nacionais e deixe de culpar quem, mais uma vez, evitou que o pior acontecesse.