Entre o ideal e o abandono
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 28 de abril de 2026
A escola, durante a ditadura, não era neutra: era um instrumento de controlo. Vigiada, censurada, moldada para servir o regime, entrava na vida dos alunos até pela linguagem. Palavras como “liberdade”, “classe social” ou “protesto” eram apagadas dos cadernos, como se apagar palavras fosse suficiente para apagar ideias.
Abril, abriu caminho à construção de uma escola como espaço de encontro, de igualdade e de pensamento crítico — um lugar onde cada voz conta e onde se aprende a respeitar o outro e a transformar o mundo. Mas esse desígnio está longe de estar plenamente cumprido. Persistem desigualdades, carências de recursos e uma desvalorização crescente de quem nela trabalha. Fala-se de inclusão, mas muitas vezes sem os meios necessários para a concretizar. Exige-se mais à escola, ao mesmo tempo que se investe menos nela.
Se queremos que a escola continue a ser um verdadeiro motor de justiça social, não basta evocá-la em discursos: é preciso defendê-la com políticas concretas, financiamento adequado e respeito efetivo pelos profissionais da educação. Caso contrário, corre-se o risco de transformar um ideal coletivo numa promessa adiada.