Artigo:Entre o discurso e o sumário | José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 20 de janeiro de 2026

Pastas / Informação / Opinião

Entre o discurso e o sumário

José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 20 de janeiro de 2026

Aula dada é, necessariamente, aula sumariada. Sempre foi assim. Não é a simples insinuação da dúvida, nem a proclamação solene da desconfiança, que altera um princípio básico da prática educativa. O sumário não é um exercício de imaginação nem um texto criativo: é a síntese do que foi efetivamente dito e ensinado, isto é, dos conteúdos lecionados.

Posto isto, seria interessante saber que sumário escreveria o ministro da Educação após uma reunião dita de negociação. Um sumário que incluísse, por exemplo, as reiteradas declarações sobre a urgência de valorizar os professores, mesmo quando essas palavras não encontram qualquer correspondência nas propostas apresentadas. Seria, no mínimo, um sumário muito original — rico em intenções, pobre em conteúdos.

Se tal incoerência ocorresse numa sala de aula, os alunos reagiriam com natural incredulidade. E com razão. Mais curioso ainda seria imaginar que o ministro fosse depois avaliado pela fidelidade do sumário à aula dada, com repercussões diretas no seu salário. Nesse caso, dir-se-ia que a exigência de rigor é essencial… desde que aplicada apenas a alguns.