Docência não se improvisa
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 31 de março de 2026
A habilitação profissional para a docência não é um mero requisito administrativo; é o garante da qualidade do sistema educativo. Assenta numa formação exigente que articula conhecimento científico sólido, preparação pedagógica consistente e prática supervisionada em contexto real. Este percurso não é acessório, é estruturante para assegurar que quem ensina detém competências adequadas à complexidade da função.
Desvalorizar esta exigência, através do abaixamento das qualificações necessárias, constitui um erro grave. Tal opção não só compromete a qualidade do ensino, como também deslegitima o percurso de milhares de docentes altamente qualificados, cuja formação é reconhecida nacional e internacionalmente. Mais ainda, representa uma desconsideração pelas instituições de ensino superior que, ao longo de décadas, têm assegurado a formação rigorosa de professores.
Facilitar o acesso à docência pode parecer uma solução imediata para a escassez de profissionais, mas, na verdade, fragiliza o sistema educativo e compromete o futuro. Ensinar exige preparação, responsabilidade e rigor — não atalhos.