Da sala para a rua
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 26 de maio de 2026
Afinal, os professores não estão assim tão pacificados. Disseram-no, de forma inequívoca, os milhares que se manifestaram em Lisboa no passado dia 16 de maio. Dizem-no também, todos os dias, nas escolas, onde cresce o descontentamento e se instala a convicção de que a tão anunciada valorização da profissão continua apenas presente nos discursos.
Este mal-estar parece não chegar aos ouvidos do ministro. Afinal, quem visita escolas em ambientes cuidadosamente preparados para a ocasião dificilmente encontra o retrato fiel do quotidiano. Entre fotografias e discursos otimistas, sobra pouco espaço para ouvir quem lida diariamente com turmas sobrelotadas, burocracia excessiva e uma carreira que continua longe de ser atrativa.
Entretanto, a contestação deixou as salas de professores e ganhou as ruas. E esse é um sinal que não deveria ser ignorado. Se o ministro persistir em não interpretar estes sinais, poderá descobrir demasiado tarde que os problemas não desaparecem por decreto. E, ao contrário do que alguns parecem acreditar, também a população percebe cada vez melhor que uma escola pública forte dificilmente se constrói sobre o desgaste e a desmotivação de quem nela trabalha.