Cordão humano para entrega de postais ao primeiro-ministro
Joaquim Carvalho | Dirigente SPGL
No âmbito da Caravana Nacional “Somos Professores! Damos rosto ao futuro! Exigimos valorização, já!”, uma iniciativa que percorreu o país mobilizando docentes, alunos, famílias e restantes membros da comunidade educativa, foi possível a recolha de mais de 15 mil assinaturas, tudo isto em apenas dez dias!
No centro desta ação de professores, está uma reivindicação clara: a valorização efetiva da carreira docente, condição indispensável para travar o agravamento da falta de professores que alastra pelo país todo. Este problema, longe de ser conjuntural, é antes o culminar de anos de desinvestimento, precariedade e desvalorização profissional, que repele os mais novos e castiga os mais velhos.
A entrega simbólica desta petição ao primeiro-ministro, no passado dia 20 de março, foi acompanhada por um cordão humano, que reuniu centenas de professores e educadores. Mais do que um gesto simbólico, tratou-se de uma demonstração de unidade e determinação de quem diariamente continua a acreditar que vale a pena lutar pela defesa da escola pública.
Na Basílica da Estrela sublinharam-se, uma vez mais, as razões desta mobilização. Entre elas, destacam-se a necessidade de garantir condições dignas de trabalho, a recuperação integral do tempo de serviço e a criação de mecanismos que tornem a profissão atrativa para as novas gerações. Talvez assim, o sr. Ministro possa compreender que não são só os 10 mil professores no Norte que não querem vir dar aulas para o Sul. Muito em breve, e se nada for feito, não haverá ponto cardeal que satisfaça os requisitos mínimos para prática docente dignificante, tanto para quem a dá, como para quem a recebe.
A escola pública merece outro tipo de reconhecimento e não aguentará por muito tempo esta brutal carga de desgaste infligida aos seus profissionais. Valorizar os professores é investir no nosso futuro coletivo, é no garante do direito à educação de qualidade para todos que se constroem sociedades avançadas e mais justas. E é precisamente nos tempos mais abstrusos, como este que testemunhamos, que mais coragem e determinação se exigiria a quem tem responsabilidades para reconhecer, valorizar e dignificar a profissão docente.
Texto original publicado no Escola/Informação n.º 314 | março/abril 2026