Assim começam as coisas…
Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 25 de agosto de 2026
A União Europeia traçou a orientação de privatizar a Segurança Social (SS). O governo encomendou estudo para início do processo e o grupo de trabalho cumpriu. Coordenado por um reputado consultor de fundos de pensões privados, a conclusão foi a pretendida — gestão individualizada das pensões. Ao longo de 607 páginas, com muito conceito business school economics, o relatório afirma que o saldo da SS afinal é défice, recorrendo ao truque de englobar as contas da SS com as da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e as do sistema de proteção social de cidadania (uma incumbência do Estado), ambas deficitárias.
Mas atentemos ao seguinte: a SS são os seus subscritores e é financiada pelas contribuições do trabalho — trabalhadores e entidades patronais; o Estado são os seus cidadãos e é financiado pelos impostos cobrados — cidadãos e empresas.
A CGA, criada em 1929, tem um défice estrutural pois a entidade patronal (Estado) nunca fez as contribuições devidas, desde 1 de janeiro de 2006 não tem novos subscritores e anualmente o Estado cobre o buraco orçamental criado pela opção tomada em 2005.