A negociação que contradiz o ministro
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 25 de novembro de 2025
Valorizar a carreira — no discurso do atual ministro — é a prioridade absoluta.
Surpreendentemente, a negociação que agora se inicia não reflete essa urgência. O que é dito como essencial surge, na prática, relegado para o fim, revelando uma clara distância entre o discurso político e as medidas concretas.
Enquanto se afirma publicamente que os professores estão no centro das preocupações, a realidade mostra que continuam a ser empurrados para o fundo da agenda, como se o tempo não fosse decisivo e como se o desgaste acumulado não estivesse a afastar cada vez mais docentes do sistema.
A falta de professores só se resolve enfrentando o problema central: uma carreira desvalorizada e desmotivadora. A profissão só voltará a atrair quando for tratada com respeito e dignidade — e isso exige decisões políticas reais, e não declarações de intenção.
Ignorar isto é condenar o sistema educativo. Sem uma negociação orientada para soluções, não haverá professores suficientes nem uma escola capaz de cumprir a sua missão. A retórica pode ser controlada; as consequências das escolhas, essas não.