A incompetência não é uma polémica
José Feliciano Costa (SG FENPROF), Correio da Manhã, 01 de setembro de 2026
Está prestes a começar mais um ano escolar e, nas escolas, persistem — nalguns casos agravadas — as dificuldades de sempre. Computadores obsoletos ou avariados, internet lenta, falta de tomadas, projetores sem resposta adequada e assistência técnica insuficiente. Há edifícios envelhecidos, sem condições para enfrentar temperaturas extremas, colocando em causa não apenas o conforto, mas a saúde e a segurança de alunos e trabalhadores.
E há a falta de professores. Logo nos primeiros pedidos de contratação através das ofertas de escola, lançados ainda este mês de agosto, mais de 2.600 horários continuavam sem docente atribuído, correspondendo a mais de 50 mil horas. São milhares de alunos que podem iniciar o ano letivo sem professor em algumas disciplinas.
Perante esta realidade, o discurso do Governo sobre o investimento na Educação não passa disso mesmo: discurso. O investimento não se mede pelas declarações do primeiro-ministro nas universidades de verão do seu partido.
Mede-se por professores em todas as salas, equipamentos que funcionam, edifícios seguros e recursos adequados.
E não há discurso que consiga esconder aquilo que professores, alunos e famílias enfrentam todos os dias.