Artigo:A arte de procrastinar | Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 10 de fevereiro de 2026

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A arte de procrastinar

Francisco Gonçalves (SG FENPROF), Correio da Manhã, 10 de fevereiro de 2026

É quase unânime no professorado português que a origem da desvalorização do exercício da profissão e da carreira docente encontra-se no governo de José Sócrates e com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. De facto, o Estatuto da Carreira Docente (ECD) trazido pelo Decreto-Lei 15/2007, de 19 de janeiro, marcou claramente um antes e um depois.

De lá para cá, somaram-se mais umas malfeitorias no período da troika, foram-se mitigando problemas no ECD, sempre por via de grandes lutas dos professores e de grandes resistências dos governos. Após os alívios verificados e as esperanças sentidas, entre 2015 e 2017, pouco mais fez a tutela do que deixar o tempo correr.

Fernando Alexandre afirma desde que é ministro: rever o ECD é fundamental! É verdade. E o que foi feito? No processo negocial em curso, que o ministro afirma ser para entrar em vigor em 2027, nada de concreto que valorize a profissão e a carreira foi apresentado. O tempo passa, os adiamentos de reuniões vão-se sucedendo, nenhum sinal de melhoria se vislumbra. Procrastinar parece uma arte consolidada no Ministério da Educação